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sábado, 8 de janeiro de 2011

Inflação em alta faz consumidor mudar hábitos para driblar preços

Mauro Dunder substituiu marcas, cortou supérfluos e passou a pesquisar frutas da estação para economizar na compra do supermercado

Na sexta-feira (7), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou o que o consumidor já percebeu na prática: a inflação no Brasil está subindo. A conversa com clientes de um supermercado e descobriu que muitos se viram obrigados a buscar alternativas para fazer a compra caber no orçamento da casa.

De acordo com os dados do IBGE, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, fechou 2010 em 5,91%, a maior taxa dos últimos seis anos.

O professor Mauro Dunder, de 37 anos, passou a morar sozinho há dois anos e, desde então, incluiu as idas ao supermercado na sua rotina. “Os preços subiram bastante. Compro sempre as mesmas coisas e estou gastando muito mais”, diz.

Como estratégia, ele substituiu algumas marcas que estava acostumado a comprar – como a do café e a do papel higiênico. “Faço pesquisa das frutas da estação para ver o que está mais barato e também cortei supérfluos, como chocolate e bolacha.”
 Sandra Benetti passou a comprar produtos de marcas mais baratas: "A gente vai se adequando", diz

Quem também optou por buscar marcas similares cujos preços são mais baixos foi a administradora de empresas Sandra Benetti, de 48 anos. “Mudei a marca do açúcar. A gente vai se adequando, né”, fala. No caso das carnes – cujos preços subiram 29,64%, segundo o IBGE – Sandra disse que diminuiu o consumo e passou a comprar cortes mais baratos.

Recém chegado ao país, depois de uma temporada de dois meses nos Estados Unidos, o engenheiro Vladimir Paolon, de 72 anos, disse que ficou “abobado” com os preços do Brasil. “É um absurdo a diferença de preços do Brasil em relação aos Estados Unidos”, revela.

A empresária Sueli Maria de Almeida Oliveira, de 66 anos, não substituiu nenhuma marca, mas passou a fazer compras em outro estabelecimento. “No dia a dia, não dá mais para comprar onde eu comprava. Agora só vou quando preciso de algo mais exclusivo”, diz.