O final da tarde é sinônimo de preocupação para os moradores que vivem próximo ao córrego do morro do S, na região do Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Só nos primeiros dias deste ano, o local já alagou três vezes. Quando o mau tempo aperta, o funileiro João Pedro dos Santos, o Paulinho, vai até a beira do córrego - próximo ao pátio da sua oficina - e grita para o vizinho, que vive em um condomínio do outro lado. O segurança Milton Souza se encarrega, então, de avisar as outras famílias da região que o nível do S está subindo. Nessa hora, vale estacionar os carros em lugares mais altos e colocar comportas improvisadas nas entradas das casas e do comércio.
O sistema de alerta "boca a boca" foi a forma que os moradores da região encontraram para se prevenir das cheias, conta Souza, que vive há seis anos no condomínio Parque das Árvores, na avenida Eliis Maas, Capão Redondo. O mesmo mecanismo foi adotado por moradores de imóveis das ruas João de Pernambuco e Joaquim Nunes Teixeira, no bairro Vila Andrade. Eles sofrem com as cheias do córrego em outro ponto da região. Nessa área, quando chove, a água barrenta invade as casas e, com facilidade, seu nível chega a 1,5 m do chão, de acordo com relatos e fotos dos próprios moradores.

Na casa de Érica Rodrigues, que vive na região desde criança, quando a água atinge o primeiro degrau, ela telefona para a colega Luciana dos Santos Costa, que vive em uma residência térrea com histórico de destruição e morte. No início deste ano, Luciana antecipou o fim de seu intercâmbio em um curso nos EUA após receber a notícia de que o pai havia morrido na cheia do dia 9 de janeiro. A mãe da estudante contou que o marido tentava salvar os móveis e aparelhos eletrônicos da família quando passou mal.
- Minha família ligou para o Samu [Serviço Ambulatorial Móvel de Urgência] e para o Corpo de Bombeiros. Eles deram orientações de primeiros socorros pelo telefone porque não conseguiam chegar até a minha casa com a ambulância.
O homem morreu de infarto agudo. A família conta que ele já sofria de pressão alta e ficava desesperado toda a vez que via a casa ser invadida pela água.
- Todo ano é assim: começa a chover e ninguém mais consegue dormir. Já perdi a conta das vezes que sai com meu pai com os carros para estacioná-los em uma parte alta do bairro. Essa foi uma das últimas coisas que ele fez antes de morrer.
Lixo e entulho No dia em que a reportagem visitou o bairro Vila Andrade, 17 de janeiro, as calçadas estavam repletas de entulho. Uma semana após o último transbordamento do córrego do morro do S, os moradores ainda limpavam suas casas. A Siurb (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras) informou que a última limpeza no córrego tinha sido realizada duas semanas da visita.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que "estão previstas obras de canalização de toda a bacia [córrego], com a construção de reservatórios nos afluentes para reter as águas antes de entrarem no córrego". O projeto, segundo a pasta, "vai completar o sistema de drenagem da bacia". O prazo o início dos trabalhos na área, porém, não foi divulgado.
Alerta desconhecido
Em outubro de 2010, a Prefeitura de São Paulo anunciou a criação do Sistema de Prevenção e Alerta de Enchentes. Porém, o mecanismo entrou em fase de testes somente na primeira semana de dezembro, mês em que começa o período de chuvas no Estado. O mecanismo consiste em enviar mensagens via celular para aqueles que vivem em áreas com potencial de alagamento.
Só nas duas primeiras semanas de 2011, o córrego do morro do S transbordou três vezes: nos dias 5, 9 e 10 de janeiro, segundo dados do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), órgão ligado à prefeitura. A cheia nesse ponto fez com que o centro decretasse estado de alerta na zona sul da capital paulista.
Apesar de a prefeitura afirmar que o sistema já está em testes, os moradores da região entrevistados, disseram nunca ter ouvido falar do mecanismo, não foram cadastrados e tampouco receberam mensagem via celular com alerta para riscos de cheias.
O DAEE (Departamento Departamento de Águas e Energia Elétrica) não respondeu, até a publicação desta notícia, se os moradores vizinhos ao córrego do S foram cadastrados no sistema de alerta. O departamento também não informou quantas pessoas que vivem próximas a áreas de risco já foram incluídas no programa.
O sistema de alerta "boca a boca" foi a forma que os moradores da região encontraram para se prevenir das cheias, conta Souza, que vive há seis anos no condomínio Parque das Árvores, na avenida Eliis Maas, Capão Redondo. O mesmo mecanismo foi adotado por moradores de imóveis das ruas João de Pernambuco e Joaquim Nunes Teixeira, no bairro Vila Andrade. Eles sofrem com as cheias do córrego em outro ponto da região. Nessa área, quando chove, a água barrenta invade as casas e, com facilidade, seu nível chega a 1,5 m do chão, de acordo com relatos e fotos dos próprios moradores.
Na casa de Érica Rodrigues, que vive na região desde criança, quando a água atinge o primeiro degrau, ela telefona para a colega Luciana dos Santos Costa, que vive em uma residência térrea com histórico de destruição e morte. No início deste ano, Luciana antecipou o fim de seu intercâmbio em um curso nos EUA após receber a notícia de que o pai havia morrido na cheia do dia 9 de janeiro. A mãe da estudante contou que o marido tentava salvar os móveis e aparelhos eletrônicos da família quando passou mal.
- Minha família ligou para o Samu [Serviço Ambulatorial Móvel de Urgência] e para o Corpo de Bombeiros. Eles deram orientações de primeiros socorros pelo telefone porque não conseguiam chegar até a minha casa com a ambulância.
O homem morreu de infarto agudo. A família conta que ele já sofria de pressão alta e ficava desesperado toda a vez que via a casa ser invadida pela água.
- Todo ano é assim: começa a chover e ninguém mais consegue dormir. Já perdi a conta das vezes que sai com meu pai com os carros para estacioná-los em uma parte alta do bairro. Essa foi uma das últimas coisas que ele fez antes de morrer.
Lixo e entulho No dia em que a reportagem visitou o bairro Vila Andrade, 17 de janeiro, as calçadas estavam repletas de entulho. Uma semana após o último transbordamento do córrego do morro do S, os moradores ainda limpavam suas casas. A Siurb (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras) informou que a última limpeza no córrego tinha sido realizada duas semanas da visita.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que "estão previstas obras de canalização de toda a bacia [córrego], com a construção de reservatórios nos afluentes para reter as águas antes de entrarem no córrego". O projeto, segundo a pasta, "vai completar o sistema de drenagem da bacia". O prazo o início dos trabalhos na área, porém, não foi divulgado.
Alerta desconhecido
Em outubro de 2010, a Prefeitura de São Paulo anunciou a criação do Sistema de Prevenção e Alerta de Enchentes. Porém, o mecanismo entrou em fase de testes somente na primeira semana de dezembro, mês em que começa o período de chuvas no Estado. O mecanismo consiste em enviar mensagens via celular para aqueles que vivem em áreas com potencial de alagamento.
Só nas duas primeiras semanas de 2011, o córrego do morro do S transbordou três vezes: nos dias 5, 9 e 10 de janeiro, segundo dados do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), órgão ligado à prefeitura. A cheia nesse ponto fez com que o centro decretasse estado de alerta na zona sul da capital paulista.
Apesar de a prefeitura afirmar que o sistema já está em testes, os moradores da região entrevistados, disseram nunca ter ouvido falar do mecanismo, não foram cadastrados e tampouco receberam mensagem via celular com alerta para riscos de cheias.
O DAEE (Departamento Departamento de Águas e Energia Elétrica) não respondeu, até a publicação desta notícia, se os moradores vizinhos ao córrego do S foram cadastrados no sistema de alerta. O departamento também não informou quantas pessoas que vivem próximas a áreas de risco já foram incluídas no programa.